Hoje é aniversário do Ditchan! Desconfio que ele demore um pouco mais pra acostumar com esse título de avô, mas posso te garantir que independente disso ele será ótimo.
Ele nasceu em Marília, primeiro filho homem de 6 que se seguiram. O primogênito na família japonesa naquela época estava destinado a trabalhar e apanhar do pai por todos os outros irmãos. Era tipo um privilégio ao contrário. Seu bisavô era marceneiro e as histórias começam a ser contadas a partir daí, da fábrica de móveis.
Filha, acho que é muito difícil resumir quem é o seu ditchan. Então, vou contar aqui um pouco da história (que me contaram!): Ele trabalhou desde sempre, estudava quase nada mas tirava notas boas, aprendeu cedo a ter um bom papo e colecionou namoradas, apanhou com humildade de escravo do pai até os 20 anos, cuidou das irmãs menores, repassou as surras à algumas e mesmo trabalhando em 3 empregos, nunca, nunca comia o único bife que estava na geladeira reservado para o irmão que estudava medicina.
Sempre foi visto como um cara engraçado, um japonês ovelha negra que gostava de rock e da boemia. Foi dono de bares e abriu os palcos a bandas que até hoje dedicam música pra ele. Trabalhou de digitador, em chão de fábrica e em balcão de farmácia tudo ao mesmo tempo e assim dormia 3 horas por dia. Começou como uma aposta a vender uns produtos médicos que o tio trazia do Japão por volta de 1989 e em 1991 deu seus primeiros passos rumo ao mundo empresarial.
Colocou o jeitinho brasileiro e a determinação japonesa em prática no mercado médico:
- Aceito carro no negócio e parcelo em 20 vezes sem juros!
Levou um calote milionário, mas não caiu. Criou dois filhos também empresários e dizem que ainda vai pagar os pecados com a filha caçula que veio 15 anos depois de mim.
Nunca entendeu o porque eu quis estudar tanto, mas sempre teve orgulho dos resultados. Quer ajudar todo mundo, mas do seu jeito.
Sempre que pode passa na frente do terreno onde morávamos numa casa construída com madeira usada para "nunca se esquecer de onde veio".
Tem um coração enorme, impulsivo e muitas vezes confuso.
Se irrita facilmente, na mesma medida em que se alegra ao comprar guloseimas e sair distribuindo de casa em casa. Não existe um funcionário que tenha emagrecido depois de entrar na Gastro. Isso é fato!
Melzinha, tomariam várias páginas para contar cada peculiaridade da história do seu ditchan. Sinto que é hora de fechar já que me lembrei do que minha querida tia Tamico falava:
"Deus fez e jogou a forma fora! Não tem igual!"
Agora minha expectativa é descobrir aquilo que eu escuto durante anos dele:
- Quando você for mãe, você vai me entender.
Tá chegando a hora.
Feliz aniversário, pai!

Lindo texto! Que escrita maravilhosa e que jeito de escrever hein?! Sempre pensei em fazer isso pra minha filha . . . mas não consegui fugir da famosa 'falta de tempo'! Hoje ela já tem 5 anos. Mas. pq não deixar à ela um registro do que sinto enquanto ela ainda não entende direito e presenteá-la no futuro né? Você me inspirou de verdade! =)
ReplyDeleteA ligação com uma filha é tão intensa que é difícil de explicar. É como diz seu pai, vc vai entender hehe
Parabéns!
Bejo
Me ponho no lugar do Nelson e imagino o que disseste vindo da minha propria filha, e chego a conclusao que o Nelson deve estar muito emocionado (se ele tem Facebook ou twitter)!
ReplyDeleteParabens pelo texto, pelo conteudo e por mostrar ao mundo a boa filha que es para teu pai!...
Que lindo prima!!! Manda parabens pro tio!! Eu lembro da casa de madeira !!! Tio Nelson é um belo exemplo de vida!!
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