Mesmo com todos os esforços do seu tio Mazzochi para nos manter em Belo Horizonte, em novembro de 2008 decidimos nos mudar para Curitiba. A vida era boa, boa dimais da cuonta como dizem por lá mas financeiramente estava cada vez mais difícil. A casa em Curitiba que pagava o aluguel do apartamento em BH estava desalugada desde Agosto e nem nossos joelhos no chão toda noite fizeram com que um inquilino caísse do céu.
Papai trabalhava muito na agência durante todo o dia e tocava com a Ca$h, mas o custo de vida lá era muito alto e sem o dinheiro do aluguel daqui ficava praticamente impossível. Fora que se aproximava a renovação do contrato e teríamos que pagar o seguro-fiança. Eu, como já contei aqui, não consegui um emprego decente sequer. No final já na fase do desespero eu ligava para as empresas e falava assim:
- Olha, eu sei que tem pós e mestrado no meu currículo, mas isso não quer dizer que eu sou uma profissional cara. Eu quero trabalhar e só.
- Ok, Thalita. Muito bom saber. Entraremos em contato nos próximos dias.
Bom, hoje de volta ao meu emprego quando recebo currículo que não atende ao perfil já sou bem direta: "- Desculpe, fulano. Você não se encaixa. Boa sorte! Não desanime!"
Voltando a história...
O joelho no chão para a casa alugar tinha se tornado sagrado. Toda noite. Um final de tarde, Math chega cansadíssimo do trabalho, estressadíssimo com o tal do "pau-do-Corel"... no dia anterior tinha dormido com a guitarra no colo tirando a música nova pro show.
Eu estava aflita porque me sentia de mãos atadas: "- Por que ninguém me dá um emprego nessa cidade, gente?" Já tinha feito os mais diversos freelas (e me divertido horrores, diga-se de passagem): garçonete e bartender do Nafta Pub, voz de uma personagem num curta (a princesa do país da matemática), cinegrafista num andaime de 3 metros no Festival de Inverno de Congonhas e finalmente, o mais a ver comigo: aulas de inglês e dois mini-cursos na PUC-MG para Rel. Internacionais.
Mas nada que pudesse nos dar tranquilidade de seguir com nossos planos ou nos permitisse comer numa churrascaria. Resultado: desenvolvi vários dotes domésticos e culinários. Sorte do papai.
Na sexta, estamos saindo pro show e o celular toca. Era o dono da agência:
- Matheus, sabe aquelas 10 mil peças que mandamos rodar?
- Sim, sei, deu tudo certo?
- Não. De alguma forma o arquivo foi sem numeração. Teremos que rodar tudo de novo... e... e... e...
E foi uma tristeza só. Nesse dia quando voltamos pra casa, eu disse:
- Acho que estamos fazendo alguma coisa errada. Por que a casa não aluga? Será que não é pra alugar?
- Não sei, Tinha.
- Acho que a gente deveria começar a pedir pra Deus nos falar o que Ele quer. Saber quais são os planos dEle pra gente porque esse nosso aqui tá meio "falhado", né?
- É, talvez a gente tenha se perdido nas nossas vontades e esquecido de perguntar pro Cara que colocou a gente junto, que permitiu e abençoou toda essa nossa história...
E assim, na madrugada de sexta e sábado o dia todo passamos concentrados em obter essa resposta. (aaaah, pra quem não sabe: somos cristãos! ;)
Sábado uma pulga atrás da minha orelha não parava de soprar Curitiba, mas relutei. Voltar seria declarar minha derrota frente a aventura de "sair por aí". Fazia todo o sentido, nossos planos poderiam se desenvolver perfeitamente, mas não! Não quero dar o braço a torcer!
Domingo de manhã, dia de ir a CCZ, igreja que frequentávamos (que saudade!). Sentamos aguardando o início da pregação.
- Ham, ham. Fala o homem ao microfone testando se está ligado.
Nesse momento reparo umas bandeiras diferentes no púlpito e logo comecei a identificá-las em pensamento - da esquerda pra direita: - Hum, bandeira de Moçambique, Inglaterra, Colômbia, essa de algum país africano que não tenho a mínima ideia de qual seja, Brasil, Belo Horizonte, e... peraí... eu conheço essa. Uai, não faz sentido... o que será que está fazendo essa bandeira de Curitiba aí?
No mesmo momento em que o pensamento transformava minhas sobrancelhas a voz se pronuncia:
- Meus queridos, só tenho uma coisa a dizer: Façam suas malas. Se você está com alguma dúvida ainda eu quero te dizer que não temas. Vá!! O seu destino só você mesmo sabe...
Arrepios e um choro de felicidade tomaram conta de nós.
Você que está lendo isso pode ser cético, ateu ou simplesmente não acreditar nessas coisas, mas posso te garantir que tudo isso foi real. Deus tem um papel predominante na nossa história e sem Ele seria impossível sermos felizes.
Dentro de 2 semanas estávamos com tudo pronto pra mudar. E, quer saber? Do lado de cá ninguém achou que eu estava "voltando com o rabinho entre as pernas". Foi uma festa!
Talvez seu avô nunca assuma isso publicamente, mas dizem os passarinhos que assim que ele leu esse e-mail, saiu pelo corredor do hotel no Chile em que estavam para um congresso, batendo na porta dos companheiros de viagem dizendo: "- Ela vai voltar! Ela vai voltar!"
| from | : Thalita M. Sugisawa | ||
| to | : Rose Sugisawa Nelson Sugisawa | ||
| date | : Tue, Nov 11, 2008 at 4:27 PM | ||
Pai e Mãe,
Quero começar esse e-mail agradecendo o apoio, amor e confiança de vocês.
Já faz praticamente um ano e meio que decidi parar tudo e começar de novo. Sei que foi assustador no começo, pra mim também foi, acreditem... mas realmente era algo que precisava ser feito, foram mudanças drásticas mas que tenho certeza, salvaram minha vida.
Bom, este ano me concentrei em terminar o mestrado e me preparar para o doutorado. Aproveitei também para estar mais perto de Deus, ser uma mulher de acordo com o que Deus espera de mim e assim, ser feliz ao lado da pessoa que escolhi e que indiretamente, Deus escolheu pra mim.
E assim passou esse ano.
Estudei, trabalhei, dei aula, cozinhei, passei roupa, me senti sozinha, perdida, independente, forte, fraca.. mas o mais importante: me senti feliz por ter tido coragem de passar por tudo isso! Me senti ainda mais feliz por ter o Matheus que me faz sentir uma princesa todos os dias! :)
Ainda não sei se vou passar no doutorado, mas independente de passar ou não, quero dizer que: Estou voltando pra Curitiba! Ou melhor: Estamos voltando!
Resumindo a história... após muitas orações vimos que é o que devemos fazer! Começamos a ver mudança, frete e tudo mais essa semana, queremos nos instalar aí já no final de dezembro/começo de janeiro, se o orçamento ajudar! O Matheus já pediu demissão da agência e fica até o dia 19/dez... ele abriu mão de algumas coisas da carreira dele, mas tenho certeza que conseguiremos conquistar muito mais em Curitiba.
Estamos felizes!
Esperamos que vocês também fiquem!
Beijos,
Mayume
Nota: Chorei escrevendo esse post.

Chorei ao final da leitura rsrs... mto lindo isso td! Acredito em Missões, em sinais, que escolhemos vir, escolhemos nossos pais, a vida que queremos ter e que td está nas mãos do Pai.
ReplyDeleteAgradeça todos os dias as bençãos que Deus fez e continua fazendo em sua vida!
Continue assim... sempre procurando a felicidade, é simples assim!
Débora Trentini
Minha amiga...
ReplyDeleteMe emocionei na época que você me contou isto, e me emocinei agora ao ler seu post.
Mesmo à distância, acompanho vossa história juntos desde o início, e sei o quanto Deus é presente em vossas vidas. Esta foi somente uma pequena amostra.
Que Ele continue os abençoando sempre.
Amo vocês.
Jujuca.