Flores

Apesar de Dirty Dancing e o Casamento do Meu Melhor Amigo serem meus filmes prediletos, eu nunca fui uma romântica convencional. Já o papai, filha... ele é. E por causa dessa diferença um caso ficou marcado em nossa história: o das Flores, dividido em Episódio 1 e 2.

Episódio 1:

Às 23h57, do dia 12 de Agosto de 2007, Matheus desce correndo de um taxi na Thompson St, 2 quadras antes do apartamento, e corre meio aos carros e debaixo da chuva de verão que deixava o Soho nova iorquino ainda mais quente.
Eu já estava lá fora, sentada na escadinha esperando há pelo menos 1 hora, desiludida, achando que ele não chegaria a tempo de comemorar o primeiro minuto do meu aniversário, como tínhamos combinado no dia anterior.

Ele chega na minha frente como quem correu uma maratona, olha no celular e diz:

- 23h58, arf, arf, arf... consegui, gatinha! Arf, arf...

Pausa para o beijo.

- Feliz Aniversário!

E me entrega um buquê de flores.

Subimos e meio a toda agitação do encontro, coloco o buquê no sofá, vou me secar, volto, me acomodo no sofá, enquanto ele pega uma bebida: 

- Ô, gatiiinha! Não gostou das flores?

- Ahn?

- Puxa, as flores... vc acabou de sentar em cima.

- Aiiii!!!! Droga! Opa! Desculpa! Ai. Eu gostei, er, obrigada...

Clima péssimo. Isso não poderia se repetir!! Ligo pra minha mãe (amante das flores, viciada em orquídeas e qualquer planta):

- Mãe, como que você reage quando ganha flores, hein?

- Ah, filha! Como assim? Ganhar flores é lindo. Homem que dá flores é maravilhoso, sinal de que é romântico e sensível. O que aconteceu?

- Sentei em cima do buquê. Mas, tava escuro e eu não vi.. e... e... ah, como que faz, hein mãe?

- Meu Senhor.... Olha, você tem que apreciar. Cheira, elogia: "como são lindas"... pede ou pega uma vasilha com água e põe dentro. Entendeu?

- Tá, entendi. Só acho que com preço de um buquê dá pra comprar uma blusinha na Zara.

- Meu Deus, filha!!

Episódio 2:

Encontro em Richmond na casa da tia Pitucha.

- Oi, gatinha! Que saudade! Olha, pra você! 
Baita buquê de flores.

Nervosa falei roboticamente:

- Aa-hh, que que lin-das! Nos-sa! Huu-uummm, cheiro bom (nem tinha cheiro), wow, ado-rei, uuuhh.

- Gatinha, definitivamente. Não te dou mais flor.

Algumas coisas não dá pra mudar, né! Mas o papai é tão criativo que já achou várias outras maneiras de conseguir arrancar meus suspiros com seus presentes surpresas, e não são blusinhas da Zara! Logo vou publicar aqui o presente de 2009 ;)

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