Acho que muitas pessoas têm uma alguém que considera como uma "segunda-mãe". Mel, quem será a sua, hein? Ai, acho que já estou com ciúmes, hehhehe.
Eu não poderia deixar de contar essa história aqui porque a minha segunda-mãe foi, é infelizmente foi muito importante pra mim. Era a Tia Tamico.
Funny quick story about names in my family: o nome de todas minhas tias terminam com CO ou KO. Vamos lá: Tamico, Kumiko, Emiko e Mariko. E ainda a minha avó acha muito esquisito o seu nome japonês ser Miya. Tá bom, né.
Tia Tamico era a típica tia do famoso clichê. Nunca namorou e vivia para todos os sobrinhos. Como minha mãe sempre trabalhou durante o sábado eu gostava de ir pra casa da Tia Tamico. Lá era altamente mimada com nescau gelado, nuggets com maionese, almoço e janta que eu escolhesse. Chegava, sentava no sofá na frente da televisão que estava sempre sintonizado nos nossos programas básicos: algum programa de calouros qualquer, tipo Raul Gil ou algum filme policial - daqueles que você tem que adivinhar quem é o assassino.
Entre a preparação de um lanche e outro, ela tomava banho e colocava bobbies no cabelo. As vezes eu fazia as unhas com um alicate sem fio dela e escutava sobre o novo livro de romance que ela não tinha vergonha de comprar na banca (Sabrina e afins) para ler nos 3 ônibus que pegava a caminho do posto de saúde em que era enfermeira.
Eu falava do quanto queria ser alguém importante e revolucionária. Ela escutava com orgulho de tia e sempre escolhia as melhores palavras de resposta.
Tia Tamico morreu de parada cardíaca em Janeiro de 2005 vítima de uma dose errada de insulina, preparando um almoço para quase toda a família na praia.
São tantas histórias que acredito mesmo que daria uma bela biografia. Mas aqui, quero contar um episódio que me marcou muito.
Era 2001 e eu tinha acabado de entrar na faculdade. Estava lendo Maquiavel e fazendo campanha pro Lula. Vejo na TV uma notícia sobre a greve dos servidores públicos de saúde, nan época ela era chefe de enfermagem de Cirurgia do Aparelho Digestivo no HC. No final de semana, encontro a Tia Tamico:
- Tia, você estava na manifestação? É um absurdo esse salário. Vocês realmente têm que se unir e batalhar por condições melhores. O governo não escuta se não for assim!!!
- Não estava não, Ma. (Ma ou Mámy é como minha família me chama por causa de Mayume, meu nome japonês)
- Como não?? Perguntei indignadíssima.
- Não estava, sou uma fura-greve.
- Tiiiiiiiiaaaa!!! Como assim?
Ela escutou cada pedaço do meu "discurso político" no alto dos meus 17-18 anos com atenção. Quando parei porque achava que a tinha convencido, ela olhou pra mim e disse com muita convicção:
- Ma, eu trabalho com saúde, gente que está lá com a barriga aberta, com dreno, sonda... Como é que eu vou falar pra eles: 'Olha paciente, não morre agora não porque eu vou ali pedir mais dinheiro. Segura as pontas, menino, que logo tô de volta'. Não. Não faço isso.
- Mas, tia... Falei já meio sem graça.
E aí com muito amor ela terminou essa conversa do mesmo modo que terminava várias outras polêmicas entre nós:
- Mámy, com o tempo você vai entender. Isso se chama maturidade.
Queria MUITO falar pra ela:
- Tiiiiia, hoje eu entendo!! Eu entendo! Aprendi!
Como isso é impossível, tenho tentado passar pra minha irmã de 11 anos essas lições e espero passar pra você também, Mel.
Com amor,
Mamãe.
Me arrepiei...deve ser horrível perder uma mãe dessas:(
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