Era agosto e não tinha tirado férias ainda. Uma gastrite confirmava o que a terapia tinha me feito perceber meses depois do diagnóstico de "depressão por stress" - hora de um break, Dona me-acho-muito-foda-que-não-preciso-descansar. Custou caro descobrir uma coisa tão simples como é o tal do limite.
Mas eu era assim... se me sentia cansada logo pensava:
- Imagina, tem gente que trabalha muito mais e não fica assim. Sou uma fracote mesmo.
Se ficava doente, chorava de raiva:
- Meu Deus! Se pedreiro faz todo aquele esforço e não fica doente por que eu tenho que ficar?
Depois de passar por algumas reformas em casa descobri que eles são os que mais ficam doente, furam o pneu do carro, caem em bueiros, e por aí vai.
Voltando a história... Escolhido o destino óbvio: NYC. Onde conheci seu papai, onde nos apaixonamos e sim, onde você foi feita!
Chegamos e no dia seguinte era meu aniversário, mas decidimos ir comprar o presente do papai de uma vez.
- Olha, gatinha. Essa é a guitarra que eu te falei. É a mais barata da Gibson.
- Credo! Claro que é a mais barata. Que guitarra horrível!
Ela era de madeira, tipo um pedaço de madeira qualquer.
- Não fala assim, Tinha. É uma Gibson e vou fazendo upgrade aos poucos.
- Ah, não. Guitarra feia. Eu não quero comprar uma guitarra feia.
Math faz respiração de como quem sabe que não vai adiantar explicar e pede pro vendedor trazer uma outra opção, um pouco melhor. O moço traz uma branca.
- Pendura em você.
- Não, gatinha. Tem que testar. Vamos ali naquele amp.
Ficou lá testando, testando a guitarra branca e achando lindo:
- Olha esse timbre, esse braço... Putz grila!
- Uhum.
Não estava convencida e o talentosíssimo vendedor percebeu na hora. Ao passar pelo balcão, me chamou e disse:
- Olha essa opção.
- Wow!!!! Yes! É essa!!! Taaaaauum, é essa nossa guitarra!!! Uma guitarra de ouro! Eu já escolhiiii, quero essa! Ouro!!
Matheus ficou num silêncio de contemplação por alguns segundos... engoliu a saliva extra e perguntou quanto custava.
- Praticamente quatro vezes mais que a primeira, respondeu o vendedor.
-Não, gatinha. Não podemos.
Argumentei que podíamos dividir em cartões, que poderíamos comer no wendy's todos os dias pelo resto da viagem, que tudo bem não sair com 10 sacolas da H&M, Broadway fica pra próxima... E nada.
O vendedor conseguiu convence-lo a testar a guitarra de ouro e o ele quase chorou enquanto tocava e balançava a cabeça como quem estava negando uma proposta indecente muito boa. Então eu disse:
- Taum, vamos levar essa porque veja... daqui uns 2 anos a gente vai querer ter um bebê e não teremos mais coragem de comprar coisas assim. Na verdade, como administradora oficial das nossas finanças, sei que teremos que controlar até o estoque de palhetas.
Falei pro vendedor meu argumento e ele disse:
- Oh, man.. she's so right. I got a 6 months baby at home and... ... ...
Matheus me olhou reconhecendo que meu argumento era irrefutável. Como bandeira branca de trégua, abriu sua carteira e balançou o cartão de crédito pra somar aos outros 2 que já estavam no balcão.
E juro, nós mal desconfiávamos que você seria concebida dali uns 3 ou 4 dias.
E essa foi a história de como eu convenci o papai a comprar a Gibson que ele tanto sonhou em ter e agora sonha com o dia em que vai tocar pra você e junto com você.
Falta pouco, coelhinha!
| Mistura de feliz com preocupado com a fatura dos cartões, hehehe. |
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