Realidades

Recentemente tive uma reunião numa corretora financeira, e o gerente que me atendeu, muito simpático com português mais carregado que celular plugado na tomada por dois dias, quis mostrar que fez sua pesquisa sobre sua cliente em potencial. Logo após cumprimentos e cortesias, perguntou: - Você escreve um blog, né?  Achei bem bonitinho.

Nó na garganta. Eu sei que é uma prática mais do que comum jogar o nome das pessoas no google. É como se fossemos descobrir com quem realmente iremos lidar, ou tentar montar um retrato, um perfil daquela pessoa, sem ao menos conhece-la de verdade.

Respondi que sim, TINHA um blog e escreVIA quando tinha inspiração e que essa inspiração se limitou, basicamente ao período da gravidez, quando quis contar pra Mel algumas histórias que considerava importante.

Hoje entrei aqui pra ver o que tinha de bonitinho. De fato... os últimos posts são colagens de postagens do facebook sobre as pérolas que a Mel fala. Li, sorri, e como num filme uma série de conclusões explodiram em mim:

Só coisas bonitinhas.

Puxa. Realmente, meu amigo Vinicius está certo: Não existe pessoa triste no instagram.

Mas por que? Porque achamos que só temos que mostrar o que é bonito? Só as boas histórias, mesmo que editadas, é que valem a pena?
Ou não queremos expor nossas vulnerabilidades? Ou, a batalha de cada um não deve ser pública? Ou pior ainda, quem liga pra isso ou o que vão pensar de mim se souberem que não tenho uma vida feliz?

Eu mudei muito ao longo dos anos. Eu compartilhava muito mais. As vezes, quando o timehop lembra de algum post de texto eu fico com vergonha de mim mesma. Vejo que compartilhei uma notícia e dei minha opinião e penso: Quem se importa? Por que eu escrevi isso?

A verdade é que eu não deveria me importar se alguém vai se importar ou não, não é?

Mas, vem cá, eu sou uma leonina com ascendente em sem lá o que, o que me faz querer agradar as pessoas o tempo todo.  Sou aquela animação maluca que fala: "Você precisa me amar!!" Eu sou legal! Eu sou muito foda!!

A verdade mais verdadeira é que as minhas fotos no instagram não mostram o backstage, a produção, o camarim... E nessa busca de me encontrar, de resgatar a minha essência nessa nova etapa da minha vida, o que mais tem me ajudado são histórias de pessoas que decidiram compartilhar suas vulnerabilidades, suas lutas internas e externas, a capacidade de seguir amando, de se entregar, de cair e ficar no fundo do poço pelo tempo que for necessário e pedir ajuda pra sair.

Glenn Doyle Melton e Elizabeth Gilbert são minhas gurus nesse sentido.

Eu abri esse espaço em 2010 com o objetivo de contar minhas histórias, mas confesso que além de ter falhado em escrever constantemente para que as memórias não se perdessem, eu também editei e deixei muita coisa de fora. Mas sinto que é hora de escrever sobre os momentos difíceis, os erros, as tentativas frustradas, as quedas porque elas são a maior parte da vida.

A vida é difícil. Em diferentes níveis, certamente. Já cansei de pensar que não devo achar minha vida difícil porque não sou /vivo em um país em guerra, porque tive oportunidades, porque tenho saúde, mas agora também cansei de achar que minhas dificuldades dentro da minha realidade não são profundos e verdadeiros.

Mel, esse blog continua sendo pra você, mas daqui pra frente, quero contar sobre as lágrimas que vieram antes ou estão detrás de cada sorriso nas nossas fotos no instagram.

Te amo,
Mamãe.

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